Memórias da Faculdade de Direito antes da UFSC

Fundada em 11 de fevereiro de 1932, a Faculdade de Direito de Santa Catarina completou 85 anos de existência. Criada por inspiração do professor, desembargador e escritor José Arthur Boiteux, foi a primeira escola de Direito em nosso Estado, embora não tenha sido a primeira de nível superior. Funcionava, no início, à rua Felipe Schmidt, em dependências que ficavam sobre a célebre “Confeitaria do Chiquinho” e, mais tarde, foi transferida para sua sede própria, à rua Esteves Júnior, número 11, onde funcionou por longos anos até ser instalada no campus da Trindade, integrada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com o estranho nome de Centro de Ciências Jurídicas, denominação inexplicável, uma vez que as mais tradicionais Faculdades de Direito do País conservaram o nome antigo. Exemplos são a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, as “Arcadas”, em São Paulo, e a Faculdade de Direito do Recife, ambas conservando o nome original mesmo após todas as peripécias de nossa história. Seria a troca de nome uma forma de escamotear o passado contestador e polêmico da velha Faculdade? Funcionou por vários anos como escola particular e depois estadual, embora houvesse o pagamento de mensalidades por parte dos alunos, ônus que só foi extinto com a federalização. LEIA MAIS

Histórias da Faculdade: A primeira turma mostrava a que veio!

A primeira turma de egressos da Faculdade de Direito de Santa Catarina concluiu a sua graduação em 1937. Na oportunidade, graduaram-se Altamiro Lobo Guimarães, Ari Pereira Oliveira, Aldo Guilhon Gonzaga, Aristeu Rui Gouveia Schiefler, Carlos Büchele, Carlos Francisco Sada, Celso Mafra Caldeira de Andrada, Emanuel da Silva Fontes, José Boabaid, Luiz de Souza, Léo Pereira Oliveia, Mário Mafra, Maurício Moreira da Costa Lima, Nicolau Glavan de Oliveira, Oslim de Souza Costa, Rui Schaefer, Rubens de Arruda Ramos, Wilmar Orlando Dias e Zenon Pereira leite. LEIA MAIS

Missões da Alumni ’32: Resgate Histórico

Quando a Faculdade instalou sua sede no sobrado da Rua Felipe Schmidt, 2, o desembargador Boiteux mandou colocar vistosa placa, que abrangia as sacadas das salas alugadas, velho escrivão do crime de uma das varas da Capital, – doente, alquebrado, com lamentável restrição visual, pouco saindo de casa -, certa manhã, vindo ao centro urbano, se lhe deparando a referida placa indicativa, comentou em voz alta – dizem uns que pela deficiência de visão, mas eu, que o conheci bem, acredito no permanente exercício da perfídia, que cultivava com zelos de bom jardineiro -, em tom sensacionalista:

– Alfaiataria do Didico! Mas para que deu o Didico: – quase quebrado e montando a alfaiataria no ponto mais caro da cidade!

(BARBOSA, Renato. Cofre aberto… Reminiscências da Faculdade de Direito e outros assuntos. Florianópolis: Imprensa Universitária, 1982, p. 40).

O excerto acima é uma das muitas histórias da Faculdade desconhecidas da maioria dos seus atuais alunos e egressos mais recentes e que, se não tivesse sido registrada na obra mencionada, provavelmente se perderia no tempo. Uma Faculdade quase centenária, que influenciou de maneira direta e indireta os rumos do Estado de Santa Catarina e formou juristas de grande renome e importância, certamente tem muitas histórias para contar, mas, como as paredes não falam, são aqueles que vivenciaram tais histórias que podem levá-las adiante. LEIA MAIS